Testes de Corrosão

Domingos J C Spinelli
SurTec do Brasil Ltda
Abril/2000



O Teste de corrosão é a interpretação dos resultados que pode ser um dos mais controvertidos
assuntos na indústria de galvanoplastia. Apesar disto, este é um dos mais importantes
parâmetros tanto para aceitação como para rejeição de muitas galvanoplastias.

TIPOS DE TESTES :

O teste de corrosão pode ser dividido em 3 categorias :

1) MOBILIDADE OU TESTE EM USO

Este, sem dúvida, seria o modo ideal de testar qualquer peça, desde que a severidade do teste
e suas variáveis, seria a representativa mais exata do serviço em que a peça seria usada.
Entretanto, esse tipo de teste tem duas grandes deficiências. O tempo necessário para obter a
real informação, usualmente estende-se em anos e todo lugar exposto é diferente por exemplo
“uma bomba testada na área de praia daria um resultado, enquanto que a mesma bomba
testada em Campos do Jordão daria um outro resultado.

2) EXPOSIÇÃO ESTÁTICA

Visto que, é difícil a execução do teste acima, a melhor coisa a fazer em seguida seria expor a
peça de uma maneira que ela fosse testada como se estivesse em uso, mas com maior
possibilidade de avaliação e estudo dos efeitos da corrosão. Por esta razão a exposição em
lugares não móveis, pode ser estabelecida vários locais em vários tipos de atmosferas, como
por exemplo, as atmosferas da costa do mar ou em localização de indústrias pesadas. Mesmo
se os resultados forem representativos de uso real, o longo período de tempo para obter
resultados significativos é definitivamente desvantajoso .

3) TESTES ACELERADOS

Muitos dos trabalhos feitos em testes de corrosão durante os últimos 15 anos, tem sido na área
de acelerar o teste de corrosão.

Como o nome sugere, o objetivo desses testes são reproduzir os efeitos de corrosão em curto
espaço de tempo, tal como 1 dia ou menos, que representaria um longo período de tempo em
uso ou serviço, como por exemplo 1 ano de uso da peça.

Para este fim, os vários testes relacionados abaixo tem sido planejados e usados pelas
indústrias. Seria muito extensivo descrever totalmente todos os parâmetros operacionais destes
testes.

As descrições e as finalidades para a grande maioria destes testes são prontamente avaliadas
na forma de modelos ASTM.


3.1. TESTE ACELERADO DE COBRE / ACIDO ACÉTICO SALT SPRAY (CASS) ASTM B-368
Neste teste é utilizada uma câmara de vapores dispersantes que distribui uma porcentagem
determinada de cloreto de sódio, cobre e acido acetico glacial sobre a peça a ser tratada em um
período de tempo predeterminado. Isto é a princípio aplicado como um teste rápido em
cobre/níquel/cromo ou níquel/cromo, revestimentos de cromo em ferro e zinco diretamente para
uso relativamente severo. Isto também é aplicado para teste de alumínio anodizado.

3.2. TESTE DE CORRODKOTE – ASTM B-380
Este teste também é usado para determinar a resistência a corrosão de deposição de cromo
decorativo. É principalmente aplicado em cobre/níquel/cromo ou níquel/cromo em peças
designadas para serviços severos. O teste é feito aplicando-se uma pasta contendo sais
corrosivos nessas amostras em teste, permitindo-se a pasta secar e expondo as amostras em
umidade relativamente alta por um tempo determinado.

3.3. SALT SPRAY (FOG) NEUTRO ASTM B-117
Este é um dos mais velhos testes acelerados ainda em uso. Para este, como os testes CASS
acima, é usado uma câmara de vapores que vaporiza uma solução de cloreto de sódio a 5%
sobre o trabalho, por um tempo específico. Este teste é menos severo que o teste CASS.
É principalmente usado na indústria de eletrodeposição de zinco e outras áreas de deposições
decorativas onde a resistência à corrosão é exigida, mas, a atmosfera na qual a peça é sujeita
no uso real é menos severa. Geralmente o tempo de exposição para obter o mesmo grau de
corrosão é maior no teste de Salt Spray do que seria no teste de CASS ou teste de Corrodkote.
Este teste não é considerado aplicável pela ASTM para o estudo e teste de níquel
decorativo/cromo; cobre/níquel/cromo sobre ferro ou zinco diretamente em suas superfícies e
ainda em eletrodeposição de cádmio em ferro.

Em alguns casos, neste teste, é usado uma concentração diferente de cloreto de sódio. A
variação mais comum nesse teste é de 3% ou 20% dessa solução de sal, mais
adequadamente 5% foi estabelecida como modelo.

3.4. TESTE DE UMIDADE
Este teste não é nada mais do que expor as peças a uma atmosfera de alta umidade relativa de
90 a 100% por um determinado período de tempo.

Este é um teste muito suave e muito usado para deposições de zinco ou conversões de
camadas.

3.5. TESTE DE ÁCIDO ACÉTICO SALT SPRAY ASTM B-287
Este teste antecedia o teste CASS e uma vez que o CASS provou ser o mais eficiente,
especialmente para depósitos níquel/cromo e cobre/níquel/cromo, seu uso diminuiu
consideravelmente ATÉ SER COMPLETAMENTE DESCONTINUADO EM 1988.


3.6. TESTE FACT – ASTM B-538
Aplicado com um rápido teste de aceitação de controle de qualidade eletroquímico para
camadas anodizadas decorativas e protetivas sobre alumínio e suas ligas.

O teste utiliza um aparato similar ao teste Kocour. O alumínio é o catodo e a platina o anodo em
uma solução eletrolítica de cloreto de sódio. Durante o teste as camadas anódicas deterioram e
a tensão celular cai. A velocidade na mudança da tensão é a medida considerada para a
camada. DESCONTINUADO POR COMPLETO E SEM SUBSTITUTOS EM 1987

3.7. O TESTE EC-ASTM (1977)
Este é um teste de corrosão eletroquímica que produz uma rápida avaliação da característica
da durabilidade da corrosão de cobre/níquel/cromo e níquel/cromo depositado em ferro e zinco
diretamente. A peça a ser testada é posta a uma corrente de densidade anódica baixa em um
eletrólito específico por um período de tempo predeterminado. O eletrólito é basicamente
escolhido em relação ao metal base envolvido e o tipo de teste desejado. O número de sitos de
corrosão formados é a indicação direta do grau de resistência à corrosão, depois pode-se
esperar um teste de deposição específico . Este teste tem um uso limitado comercialmente,
mas ganhou aceitação como um método de pesquisa.

A INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DE CORROSÃO

A interpretação dos resultados obtidos dos testes de corrosão é a mais fraca ligação da cadeia.
Logicamente nenhum teste dá uma resposta clara se a peça irá ou não, quando galvanizada,
com uma certa camada, resistir a corrosão em qualquer atmosfera. Infelizmente não é assim.
Isto pode ser apreciado por uma série infinita de números diferentes de atmosferas corrosivas,
cujas camadas podem ser expostas e essas mesmas atmosferas podem afetar uma camada
diferente de muitos modos. Entretanto, seria impossível projetar um teste que satisfaça todas
condições e todas as variedades de corrosão média, especialmente no campo de testes
acelerados.

Através de um extensivo estudo feito pelas indústrias automobilísticas, em conjunto com a
ASTM, houve descobertas favoráveis que correlacionam entre 16 e 22 horas o teste CASS ou
Corrodkote, a um ano de exposição nas ruas de Detroit. Entretanto com o aumento do uso de
cromo micro discontinuo sobre o níquel duplex, que necessitava de um tempo de exposição
longo, os resultados obtidos do teste CASS e Corrodkote, tem-se tornado questionado quando
correlacionado com o uso no dia a dia.

Uma questão que é muito colocada “Se a minha peça for exposta a 20 horas de CASS, quanto
tempo seria equivalente em um Salt Spray Neutro para se obter um resultado igual? Não há
meios de responder esta questão, a menos que um certo número de peças fossem realmente
levadas a corroerem nas mesmas condições. A correlação é feita depois por análise de
estatísticas. Através de testes extensivos de várias peças, tem havido uma visão justa da
correlação entre testes específicos e os usos diários .


Esta correlação seria verdadeira somente para aquelas peças específicas e seus depósitos, e
também o teste que foi aplicado. Justamente porque os depósitos variados tem uma
determinada sequência em um tipo de teste de corrosão, isto não necessariamente significa
que eles irão se comportar da mesma maneira quando testado convencionalmente de outro
modo.


Muitos testes específicos de corrosão tem sido usado por compradores ou por fabricantes como
um controle de qualidade de aceitação e para estabelecer limites. Novamente estes limites são
somente satisfatórios para testes específicos requeridos.


Uma outra questão que é frequentemente feita : “A minha peça passou no teste ?”.
Novamente, a menos que haja uma descrição definitiva para o que esta passando ou falhando,
a questão não pode ser respondida.
Algumas especificações determinam nenhuma corrosão dentro de um tempo específico; outras
abaixo de uma certa porcentagem de corrosão durante o mesmo tempo.
Também deve ser estabelecido se somente as falhas no metal base os defeitos na superfície
em geral tais como: aspereza, rachadura, dureza, etc. são levados em conta quando da
aceitação ou rejeição da peça .


Um outro ponto a ser estabelecido, é se toda a superfície da peça é considerada significante
quando determinada a área de corrosão. Muitas vezes dentro das peças ou áreas que são
subsequentemente pintadas, por exemplo, pontos de corrosão não são considerados. Isto,
entretanto é importante para se compreender completamente as especificações que são
seguidas e saber que somente o comprador irá ou não aceitá-las.


Os testes de corrosão não são tão simples como parecem a primeira vista, pois existem uma
multiplicidade de variáveis que precisam ser controladas.
Uma completa compreensão do teste de corrosão é importante. Enfim, é importante a aquisição
do conhecimento de como interpretar os resultados, a fim de se obter a informação desejada.
Seria de grande ajuda se a maioria dos técnicos no campo de acabamento metálico,
adquirissem os documentos citados da ASTM e familiarizar-se com os seus conteúdos e
critérios.